



Dor pélvica crônica: o que pode estar por trás desse sintoma?


Por Catarina Bacelar Giehl Alarcao
CRM-SC 37473
RQE 25728
Sentir dor na região pélvica de forma frequente, por mais de seis meses, não é normal. Ainda assim, muitas pessoas convivem com esse sintoma sem diagnóstico, sem tratamento adequado e, pior, sem acolhimento. A dor pélvica crônica é um desafio porque envolve múltiplas possíveis causas — e entender isso é o primeiro passo para tratar de verdade.
O que é dor pélvica crônica?
É uma dor persistente que acomete a parte inferior do abdome e a pelve, podendo irradiar para a região lombar, vagina, períneo ou reto. Ela pode ser constante ou intermitente, leve ou incapacitante, e costuma impactar a vida sexual, o funcionamento intestinal, a qualidade do sono e a saúde mental.
Causas possíveis — e por que é tão difícil diagnosticar
A dor pélvica é uma “zona cinzenta” entre várias especialidades. Muitas vezes, o paciente passa por ginecologistas, urologistas, coloproctologistas e fisioterapeutas antes de ter um diagnóstico. Isso acontece porque as causas podem ser múltiplas e coexistirem. Entre as principais:
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Endometriose: uma das causas mais comuns em mulheres, pode acometer útero, ovários, bexiga e intestino.
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Aderências pélvicas: resultado de cirurgias anteriores, infecções ou inflamações, que “colam” os órgãos e limitam seus movimentos.
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Síndrome do assoalho pélvico: alterações na musculatura que sustentam a pelve, levando a dor, desconforto na evacuação e relação sexual.
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Doenças intestinais: como fissura anal crônica, síndrome do intestino irritável, retite actínica, doenças inflamatórias intestinais (como retocolite e Crohn).
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Distúrbios urinários: como cistite intersticial e bexiga hiperativa.
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Alterações emocionais: ansiedade e depressão podem amplificar a percepção da dor e, ao mesmo tempo, serem agravadas por ela.
O papel da coloproctologia:
Muitas pacientes que sofrem com dor pélvica passam anos tratando apenas o útero ou os ovários, sem investigar o intestino. O coloproctologista entra justamente nesse ponto: avaliar causas anorretais, intestinais e musculares que podem estar contribuindo para a dor.
Casos de fissura crônica, hipertonia do esfíncter anal, proctalgia fugaz, disfunções do assoalho pélvico e até endometriose intestinal são frequentemente negligenciados. Exames como a anuscopia, manometria anal, ressonância com preparo e até a avaliação física detalhada são essenciais.
Tratamento precisa ser em equipe
Não existe solução única para a dor pélvica crônica. O ideal é uma abordagem multidisciplinar, com ginecologista, coloproctologista, fisioterapeuta pélvico, psicólogo e, quando necessário, cirurgião especializado.
A boa notícia? Quando o diagnóstico é feito corretamente e o tratamento é individualizado, a melhora na qualidade de vida é real.
Conclusão: sentir dor não é normal — e merece investigação
Se você convive com dor pélvica, não aceite a resposta de que “é psicológico” ou “é assim mesmo”. A dor é um sinal do corpo, e entender suas causas é o primeiro passo para viver com mais leveza.
Acolhimento, escuta e ação.
Você merece tudo isso.